Sempre que atingimos a perfeição fazemo-lo através de memórias... Aquele momento que nos atravessa a cabeça com a banda sonora ideal, em que somos espectadores da nossa própria pessoa. Aquele final de tarde, com vista para o jardim, com quem realmente importa; aquela viagem de comboio a regressar de um dia fantástico; aquele acordar, no dia a seguir, a pedir que a noite anterior se prolongue mais um pouquinho mas, ao mesmo tempo, a não querer estragar aquele momento de perfeição; o adeus ao abrir a porta de casa, depois do sonho; o ar fresco da noite depois do jantar...
A perfeição, no passado, nas fotografias, nos sorrisos em Dezembro quando se relembra a praia com os amigos, nas gargalhadas de Agosto quando se lembra a noite de Carnaval, nos abraços de Outubro quando se recordam as tardes de Primavera e as primeiras envergonahdas pedras de gelo na bebida.
A perfeição, não mais que nostalgia... E certeza de que tudo vai acontecer mais uma vez e outra e outra, até à última vez!